
Faça o teste. Dirija até um posto Petrobrás e abasteça seu carro. Quando o frentista vier lhe cobrar, diga: “A Petrobras é do povo. Eu sou povo, portanto a Petrobras é minha também e não vou pagar”. Depois corra, pois então deverá ser encaminhado à delegacia para dar explicações.
Esta é a realidade ilusória da Petrobrás, uma das maiores produtoras de petróleo do mundo criada pelo estado brasileiro em 1953. Desde então vem sendo administrada pelo governo, atendendo interesses dos mais nobres aos menos republicanos.
Não podemos deixar de reconhecer que é uma empresa inovadora. Pode-se dizer sem nenhuma margem de dúvidas, que é a que mais investe no país atualmente. O estado do Rio de Janeiro tem sua economia dependente desta petrolífera.
Entretanto por anos, a produção nacional foi pífia, praticamente inexistente. Os poços de petróleo resumiam-se a pequenas perfurações na Bahia e Amazônia. E assim foi até a chegada da crise mundial do abastecimento em 1973.
No mês de outubro daquele ano, os países árabes exportadores de petróleo proclamaram um embargo às nações aliadas de Israel, e devido a isso, em pouco tempo o preço do barril subiu de três para 12 dólares no mundo inteiro, ou seja, o petróleo teve o seu preço quadruplicado.
O resultado foi uma inflação alta e descontrolada, consequência direta daquele aumento “descomunal”. E não foi restrito ao Brasil. Na Europa, todos os países também foram severamente afetados. Para se ter uma ideia da escassez de combustível, na Holanda havia uma anedota sobre a colisão frontal de dois motoristas que dirigiam a 20 Km/H. Perguntados do porquê de não desviar do outro, um deles respondeu que se fizesse a curva, não teria combustível para chegar em casa.
O governo brasileiro, que era militar, decidiu então investir pesadamente em busca de alternativas, com a intenção de não mais depender dos países produtores, e assim deixar de sofrer influências das especulações.
Foi quando surgiu o Proálcool, um programa de combustível à base de cana-de-açúcar, que tornou o Brasil o maior exportador de etanol do mundo. Houve grande estímulo à produção de veículos a álcool, e nos 5 anos seguintes, 6 milhões deles foram fabricados.
Infelizmente, além do álcool e dos veículos, produziu-se usineiros que formaram o próprio cartel. O país passou a depender também dessa nova casta. Quando o preço do açúcar era mais atraente no mercado internacional, o valor do álcool no mercado interno aumentava, refletindo no preço da gasolina. Isto apesar dos vultosos incentivos e benefícios fiscais concedidos pelo governo.
Ao mesmo tempo deu-se início a uma busca frenética a novos campos de petróleo, desenvolvendo-se tecnologia própria de prospecção. Descobertas relevantes na Bacia de Campos no estado do Rio, nos tornando autossuficientes.
Isso foi história, mas atualmente o preço do combustível voltou a ficar em evidência e, o mais irônico, é que vivemos o mesmo drama que passamos em 1973. Os países produtores de petróleo continuam manipulando os preços do barril afetando a economia mundial, inclusive a nossa que tem produção própria.
Apesar da Petrobras ser uma empresa de economia mista, com ações negociadas na Bolsa de Valores, é inegável que o governo e, indiretamente, o povo brasileiro pagador de impostos, realizou concessões para mantê-la sempre lucrativa. Incentivos fiscais e a garantia do monopólio do refino, exploração, foram bastante benéficos para esta empresa, aos acionistas e, sobretudo, a seus funcionários.
Hoje, após uma administração traumática exercida pelo PT enquanto Lula e Dilma foram presidentes, estabeleceu-se o “valor de mercado” como norteador da política de preços daquela companhia, a fim de que a empresa voltasse a ter lucro e assim compensar os rombos consecutivos proporcionados pelos saqueadores que tomaram posse da Petrobras.
Em países produtores de petróleo, como o nosso, o preço do combustível “na bomba” deveria ser o equivalente ao seu custo de produção mais uma generosa margem de lucro, exato como qualquer empresa capitalista calcula o valor de seu produto oferecido ao mercado consumidor.
Portanto, ainda está em tempo de decidirmos o que melhor para nós. Ou sustentamos uma “OPEP” nacional que em nada beneficia à população, ou nos libertarmos e passamos a comprar petróleo ou gasolina mais barata de outros fornecedores. Não faz sentido o governo criar e sustentar uma empresa com o objetivo de gerar dividendos a seus acionistas em detrimento do povo e da economia do país.

João Ninguém – Editor Chefe do Brazil 171
